Festival Outros Nativos

O Festival Outros Nativos é uma celebração da música independente e da potência criativa das periferias amazônicas. Criado pela Associação Sociocultural Outros Nativos (Ason), o festival é uma plataforma de expressão artística, formação cidadã e valorização da diversidade cultural que emerge dos bairros populares de Belém e de outras cidades do Pará. Mais que um evento musical, o Festival é um movimento de fortalecimento comunitário e transformação social por meio da arte.

Desde sua primeira edição, o Festival tem como missão evidenciar e fomentar a produção musical contemporânea das juventudes periféricas, conectando novos talentos a públicos amplos e a redes colaborativas de cultura, comunicação e economia criativa. O projeto é também uma janela para que artistas de diferentes origens, trajetórias e linguagens possam apresentar seus trabalhos com dignidade técnica e visibilidade, contribuindo para a construção de uma cena cultural mais justa, plural e acessível.

Nossa história

O Festival surgiu em 2019 com a aprovação do projeto no Edital de Projetos Culturais de Relevância Social, patrocinado pelo Unicef e Prefeitura de Belém. Com o sucesso do projeto, conduzido pelo jornalista, cantor, compositor e produtor Nicobates, e a produtora cultural Taisse Naiade, o grupo, formado por artistas, produtores, educadores e ativistas culturais, fundou a Ason em 2020.

Esse grupo formou um histórico de atuação nas periferias de Belém, especialmente nos bairros da Sacramenta, Barreiro, Pedreira, Telégrafo e Maracangalha. A ideia de realizar o festival veio da urgência de criar espaços permanentes para a difusão e valorização da arte produzida por sujeitos historicamente marginalizados dos circuitos oficiais de cultura.

Desde então, o Festival vem se consolidando como um dos principais eventos culturais da cena independente paraense, mantendo-se fiel à proposta de trabalhar com base na escuta dos territórios, no protagonismo das juventudes e na defesa de um fazer cultural enraizado na realidade local.

Curadoria e identidade 

A curadoria do Festival Outros Nativos é orientada por princípios de representatividade, experimentação e diversidade. As atrações são selecionadas com base em chamadas públicas, escutas coletivas e diálogos com redes artísticas e culturais dos bairros atendidos pela Ason. O festival reúne artistas de estilos variados — do carimbó ao rap, do tecnobrega ao rock alternativo, passando pelo reggae, pop, trap e funk — refletindo a riqueza de influências e identidades que compõem o mosaico cultural amazônico contemporâneo.

Mais do que promover shows, o Festival busca proporcionar encontros entre diferentes linguagens artísticas, gerações e territórios. O palco é ocupado por talentos em ascensão e convidados de outras regiões do estado, criando uma atmosfera de intercâmbio, descoberta e celebração. A valorização da estética periférica, da oralidade, da ancestralidade e da inovação tecnológica são marcas registradas do evento.

Formato e programação

O Festival é estruturado em cinco grandes eixos:

  1. Mostra Musical Competitiva – Chamada Mostra Alternativa, ela é voltada para artistas iniciantes, selecionados por edital, que se apresentam com acompanhamento técnico e recebem premiações e mentorias.
  2. Mostra Musical Não-Competitiva – Chamada Mostra Nativa, com foco em artistas convidados, de diferentes localidades e linguagens, que dialogam com o público e enriquecem a programação.
  3. Feira Comunitária e Criativa – Espaço de convivência e economia solidária, com exposição de empreendimentos locais, gastronomia, moda, artesanato, literatura e serviços comunitários.
  4. Oficinas de Formação – Ações educativas nas áreas de produção musical, gestão de carreira, mídias digitais, direitos autorais e cidadania, voltadas para jovens e coletivos locais.

Além da programação cultural, o Festival conta com ações de acessibilidade, sustentabilidade e inclusão digital. Todas as atividades são gratuitas e priorizam espaços públicos ou comunitários — como praças, escolas e centros culturais de bairro — fortalecendo a ocupação simbólica e cidadã desses locais.

Impacto social e cultural

 

O Festival Outros Nativos é, acima de tudo, uma experiência de cidadania cultural. Ao integrar arte, formação e participação social, o evento contribui para a democratização do acesso à cultura, a geração de renda para artistas e produtores locais, e a afirmação de identidades periféricas e amazônicas. A cada edição, são dezenas de trabalhadores e trabalhadoras da cultura envolvidos — entre artistas, técnicos, produtores, comunicadores, educadores, empreendedores e lideranças comunitárias.

Além do impacto direto na cena artística e na autoestima das comunidades participantes, o Festival alimenta uma rede de ações contínuas desenvolvidas pela Ason, como o projeto Incubadora de Cidadania, o projeto fonográfico ON Music (Outros Nativos Music) e oficinas permanentes de arte e cultura nos bairros da Sacramenta, Telégrafo e Barreiro. A cada nova edição, o Festival se renova em diálogo com seus territórios e parceiros, sem perder o foco em sua missão transformadora.