“A Saga de Agotimé” destaca a força da coletividade das mulheres negras na Amazônia

Espetáculo idealizado pela arte-educadora Taynara Garcia busca evidenciar a importante contribuição da cultura e religiosidade afro-brasileira na formação do Brasil

Wendd Evelyn interpreta a protagonista Agotimé

A história de uma rainha africana, cuja trajetória atravessou o Atlântico e ajudou a moldar as tradições religiosas e culturais brasileiras, será contada nos palcos de Belém. Nos dias 6 e 7 de agosto, às 19h, o Teatro Estação Gasômetro recebe o espetáculo “A Saga de Agotimé”, montagem que une dança, teatro, música e cosmologia africana para falar sobre uma importante personagem da cultura, religiosidade e espiritualidade afro-brasileira.

A produção é inspirada na história de Agotimé, rainha do antigo Reino do Daomé, atual Benin, considerada uma das principais referências da tradição do Tambor de Mina, religião de matriz africana presente principalmente no Maranhão e que também influencia comunidades na Amazônia.

A narrativa acompanha a travessia forçada da monarca para o Brasil durante o período escravista, e mostra como os conhecimentos, a espiritualidade e as práticas culturais africanas resistiram à violência da escravização, permanecendo vivos na formação da identidade cultural brasileira.

À frente da montagem está a dançarina e arte-educadora paraense Taynara Garcia. Formada pela Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará (ETDUFPA), a diretora conta que o espetáculo nasceu em 2023, a partir de uma oficina realizada no Curro Velho, órgão da Fundação Cultural do Pará, e que agora ganha uma nova versão, mais próxima do desejo original da diretora.

O elenco do espetáculo é formado majoritariamente por mulheres negras

O protagonismo de mulheres negras dentro e fora da cena é um dos diferenciais do espetáculo. Com elenco formado majoritariamente por artistas negras, que também participam da cenografia, dos figurinos e de outras etapas da produção, Taynara destaca essa força motriz desta nova versão. Para ela, esse processo coletivo fortalece a autenticidade da narrativa apresentada ao público.

“Não estamos representando uma mulher negra a partir da imaginação. Somos mulheres negras contando uma história que também atravessa nossas vivências e nosso território”, afirma a diretora.

Além de revisitar a trajetória de Agotimé, o espetáculo propõe discutir temas como memória, ancestralidade e pertencimento, além de reconhecer a contribuição dos povos africanos para a formação da cultura brasileira, especialmente na Amazônia.

A diretora também chama atenção para os desafios enfrentados durante a construção do projeto. Segundo ela, abordar personagens ligados às religiões de matriz africana ainda provoca resistência em diferentes setores da sociedade.

“Estamos falando de corpos femininos negros sem o viés da sexualização. É um corpo político que ocupa a cena e fala por si dentro de uma estrutura que ainda é muito machista”, destaca.

A montagem reúne artistas que atuam em diferentes linguagens, como dança, teatro, música e cultura popular, incluindo integrantes ligados às tradições do Tambor de Crioula e do Tambor de Mina. Participam do espetáculo a Mestra Pretta Nzinga Jamile, Maiara Almeida e o Grupo de Tambor de Crioula Filhos e Amigos de Cururupu.

O projeto foi contemplado pelo Edital nº 002/2025 de Fomento à Criação de Projetos Culturais, do Governo do Estado do Pará, por meio da Lei Aldir Blanc.

As apresentações contarão com interpretação em Libras, espaço reservado para Pessoas com Deficiência (PCD) e política de meia-entrada para PCDs, mães solo e pessoas trans, como parte das ações de acessibilidade e inclusão previstas pela produção.

SERVIÇO:

Espetáculo: A Saga de Agotimé

Data: 06 e 07 de Agosto

Horário: 19h00

Local: Teatro Estação Gasômetro

Acessibilidade: Tradução em Libras e Espaço PCD

Meia entrada: Pessoas com deficiência, Pessoas Trans, Mães solo.

Ingressos: R$ 20,00 Inteira | R$ 10,00 Meia

Contato para ingressos e informações:

Nome: Taynara Garcia

Telefone: 91 8918-0902

E-mail: artesnegrasemmovimento@gmail.com

Créditos das Fotos em Anexo: Taynara Garcia (elenco) e Nicobates (ensaios). 

FICHA TÉCNICA:

Coordenação de Produção e Direção: Taynara Garcia – Artes Negras em Movimento.

Produção Executiva e Assessoria de Comunicação: Elielton Alves – Uka Uka Arte e Cultura.

Dançarinas: Anastácia Marshelly, Bianca Bahia, Elidiane Parente, Jojô Pantoja, Khetelen Vitoria, Lo Ojuara, Rosy Lueji, Stella Mendes, Thamirys Monteiro, Wendd Evelyn.

Percussionistas: Brena Corrêa e Katarina Chaves.

Participação especial: Mestra Pretta Nzinga Jamile, Maiara Almeida e Grupo de Tambor de Crioula Filhos e Amigos de Cururupu.

Iluminação: Malu Rabelo.

Cenotecnia: Cláudio Bastos.

Sonoplastia: Pawer Martins.

Produção: Mika Nascimento.

Intérprete Tradutor de Libras: Gabriel Lucena.

Captação de bastidores e vídeos: Associação Sociocultural Outros Nativos.

Captação de imagens: Victor Peixe.

Designer gráfico: Thayse Panda.

Parceiros: Curro Velho, Hounsou Store, Associação Sociocultural Outros Nativos e Escola Estadual E.F Santo Afonso.

Patrocínio:  PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), Secretaria Estadual de Cultura (Secult), Governo do Pará, Ministério da Cultura, Governo Federal.

O elenco atual da montagem destaca a potência da coletividade

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