População denuncia descaso na comunidade Nova Aliança

Falta de saneamento básico e abandono de uma área com mais de 600 famílias provoca doenças e alagamentos

Enquanto Belém se prepara para receber a COP30 com grandes obras estruturantes, uma face menos celebrada da cidade resiste à margem dos holofotes e das promessas. Na Nova Aliança, comunidade de mais de 600 famílias localizada entre os bairros Sacramenta e Barreiro, a expectativa pelo desenvolvimento socioeconômico se choca diariamente com a dura realidade da ausência de saneamento e infraestrutura.

A urbanização da Nova Aliança foi anunciada há pelo menos duas décadas junto com as obras de macrodrenagem da Bacia do Una, mas ficou no discurso. Entre os relatos que chegam de dentro das estreitas passagens Santa Rosa e Santa Teresinha, o que se vê é um cotidiano de improviso e abandono. Tubulações inacabadas, obras paralisadas, vielas sem asfalto e alagamentos dominam o cenário, principalmente durante as chuvas.

Camila Santana, moradora da área, relata que a água das chuvas não tem para onde escoar, acumulando lixo e retornando para as casas. Ela diz que, em dias de chuva forte, o volume sobe rapidamente, deixando moradores com medo até de usar o banheiro, pois os canos estão entupidos.

A moradora lembra que houve promessa de instalação de tubulação, mas que a obra parou ainda no início, perto da beira do canal. “Nunca vieram para cá pra trás. Agora que você está vindo pra cá. Queeu estou tendo a oportunidade de falar”, disse ela ao editor do Notícia Pai D’Égua, Nicobates.

A moradora Raime Cardoso explica que a vala que passa por debaixo de sua residência não tem saída, causando enchentes na sala e no quarto das crianças. “Tive que colocar aterro para não correr o risco de ficar debaixo d’água com meus filhos”, contou.

As péssimas condições do lugar aumentam as chances de doenças de pele e infecções graves. Um dos episódios mais preocupantes é o de Maria do Socorro, moradora e avó de um menino que contraiu esquistossomose após contato com a água contaminada.

Segundo Socorro, o neto quase morreu porque o diagnóstico veio tarde, já com a doença em estágio avançado. “Ele ficou todo inchado, com a barriga grande. Graças a Deus sobreviveu, mas até hoje está em tratamento”, afirma.

Ela critica a ausência de ações do poder público. “Nós somos esquecidos aqui pelo governo e pela sociedade”, lamenta.

Enquanto a primeira etapa do Parque Urbano Igarapé-São Joaquim avança e seu término é previsto para dezembro de 2025, a fase que deveria contemplar a Nova Aliança permanece sem prazo – e, para muitos, sem esperança.

Prefeitura –  Após a divulgação das denúncias feitas pela comunidade ao Notícia Pai D’Égua, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel), enviou uma nota afirmando que “a Prefeitura de Belém, por meio da Sezel, informa que enviará uma equipe técnica ao local citado em breve para avaliar os danos e necessidades dos bueiros com problema”.

“É importante ressaltar que o novo Parque Urbano São Joaquim será um legado completo, beneficiando cerca de 400 mil pessoas que vivem às margens do canal e arredores — promovendo saneamento, lazer e qualidade de vida, além de atrativos turísticos”, segue a nota.

As obras no parque incluem tratamento de esgoto ao longo do igarapé São Joaquim e a implantação de ‘módulos de apoio’, considerando que a macrodrenagem da Bacia do Una (concluída em 2005) já havia tratado parte do saneamento da área”, conclui a manifestação da Prefeitura.

 

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